MG lidera resgates de trabalho análogo à escravidão com flagrante no Triângulo Mineiro

Minas Gerais concentrou quase metade dos trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no Brasil durante o mês de agosto. Segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho, do total de 479 pessoas resgatadas em todo o país, 208 estavam em território mineiro. A fiscalização conjunta envolveu o Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público, Defensoria Pública da União e a Polícia Federal em uma força-tarefa nacional.
No Triângulo Mineiro, um dos casos mais graves foi registrado em Estrela do Sul, onde um grupo de migrantes africanos foi encontrado trabalhando na colheita manual de batatas. De acordo com os fiscais, os trabalhadores não possuíam registro em carteira e enfrentavam condições degradantes, incluindo a falta de acesso a água potável e a ausência de instalações sanitárias básicas no local de trabalho.
O perfil das vítimas segue um padrão de vulnerabilidade social: a maioria é composta por homens, pretos ou pardos e com baixa escolaridade, embora mulheres e crianças também tenham sido localizadas. Além do setor de hortifrúti, as irregularidades foram mais frequentes na construção civil e nas lavouras de café e cebola, setores produtivos fortes na região do Triângulo e Alto Paranaíba.
Os empregadores flagrados foram notificados a pagar as verbas rescisórias equivalentes a uma demissão sem justa causa e responderão a processos administrativos. O auditor fiscal Wallace Pacheco destacou que, após o trâmite judicial, os nomes dos responsáveis poderão ser incluídos na 'lista suja' do trabalho escravo, atualizada semestralmente pelo Governo Federal. Com informações de G1 Minas Gerais.



